Simples

E depois espraias
teu corpo satisfeito
de sorriso rasgado
e músicas no peito.


Quero o teu mimo
sem luxúria ou proveito.

E depois amarras
meu corpo refeito
e beijas-me a boca
num toque escorreito.

Quero sentir-te perto
sem capas ou conceito.

E depois bocejas
o sono perfeito
de quem ama e sente
na alma o respeito.

Quero fazer-te feliz
sem costume ou afeito.

Porque prometi
Porque não antevi
Porque não quero
-sem ti-.

A duas



M: E quê gaja, como estás???
L: Já tive melhores dias! Mas "nada" que seja novidade...

(...)

M: E agora??? Como estás???
L: Não sinto "nada"!!! Enche-me o copo de "nada" por favor! Gosto de "nada", de não sentir "nada"! Nem bracinhos, nem pernas, nem coração... A anestesia total... É suposto não sentirmos "nada" não é M.?
M: Acho que sim!!! Gado... e Gado é "nada"!!!
L: Também quero ser Gado!!! Gado é fixe...
M: E aquela merda do "tem que haver alguma coisa que nos distinga dos bois e das vacas"?
L: Pffff... "Oh vizinho ora bom dia, como vai a saudinha, eu não sei falar de amor!!!"

Fala-me...

...
da dignidade de ser maior
coração que os simples Quadrados
-culpados-
da imensidão de ser-se gente com condição
de amor sem fim para ser-se superior
-ao furor-
das metas indistinguíveis
por ser-se forte pela mão
-da ambição-
do amor de dentro para mim
com desejo limpo e eco latido
-despido-
de falta de apatia que te crio
como quem anicha com vontade
-a saudade-.

Para o meu querido Alguém.

Tenho medo e é só isso. Não que o medo seja coisa simples por si só. Mas não me passa mais nada para além de medo. Tenho medo que não gostes do que encontras. Tenho até medo de ser eu própria, por ter medo de mim quando o sou. Tenho medo das idades. Não que elas sejam muito distas, simplesmente o que advém da diferença é complicado. Tenho medo de não entenderes, tenho medo até de falar. E logo eu, que até sou alguém que diz coisas, tantas coisas às vezes. Sempre podes mandar-me calar quando achares que falo demais. As conversas banais fazem parte do meu dia-a-dia, mas o que te queria dizer em nada era banal.
Queria dizer que te gosto. Que te gosto muito assim. Que entraste e que tenho medo. Porque não sei, a frio, se é mútuo. Tenho medo de pôr a carroça à frente dos bois. Tenho medo que tenhas medo de mim. Não porque sou perigosa (porque de perigosa tenho pouco) mas, sim, porque exijo. Não sou simples, nunca fui. Mas também não sou complicada, simplesmente sinto. E o que sinto assusta-me, não porque não goste de sentir, porque acho que sentir torna-nos vivos, mas sim porque te vejo a deixar-me entrar, também.
Tenho medo de não te fazer feliz. Não que ache que não consiga, mas porque és diferente. Nem sei muito bem como és com o que sentes, nem sequer o que sentes nem como reages quando sentes. Sei que gostas, e isso também eu. Mas não sei se sentes suficiente, e eu não sei se o que sinto me dará forças.
Sinto que gosto de coisas complicadamente simples. Gosto de segurança, sem aborrecimento. Não me importo de discutir, desde que o objectivo final seja comum. Não me importo de distância, desde que me sinta "em casa" enquanto estás longe. Sim, gosto de atenção, de mimo. Gosto até daquele amor foleiro e meloso, cheio de beijos e carícias... Sinto que gostas também e isso é positivo.
Não sei se gostas de falar comigo, ou de sequer estar comigo. Eu sinto que sim. Mas o que sinto já me atraiçoou tanta vez, que já não confio nos sentimentos. Confio mais no que vejo, no que toco, no que me mostram.
Não gosto de me sentir insegura. E é o sentimento que me tem avassalado nestes últimos dias, porque não sei de nada. Porque tenho medo de falar. Ainda tentei, mas noto que não te sentes a vontade em falar. Pensei que fosse a tua maneira de me mandar calar. E eu calei-me. Não te quero assustar, longe de mim querer fazer-te sentir desconfortável.
Acho que acordas bem, e fazes-me bem quando acordas. Já te disse isto. A tua boa disposição é contagiante e fazes-me rir com vontade. Gosto que me façam rir, e eu sei que todas as mulheres dizem isto. Mas eu sinto-o. Acho que a vida é sempre melhor encarada com um sorriso, e sempre tentei rir-me nas minhas piores horas, assim como adoro fazer rir os outros.
Sinto que me fazes falta. Não uma falta exagerada a ponto de não conseguir fazer nada, mas saudável. Acho que a saudade é má. Não porque significa coisas más, mas porque não gosto de me sentir inquieta. Gosto de conforto. Gosto de me sentir "quente" por dentro, mas não gosto de me sentir abanada. E é abanada que me sinto nestes últimos dias.
Acho que me tens como alguém diferente do que sou. E por isso tenho medo. E por não querer mudar a imagem, por ter medo que não gostes da volta, é que me calo, que não falo. Eu sei que todo ou qualquer relacionamento é feito na base do diálogo. Mas é o início e eu calo-me. Acho que não é a hora, nem tenho coragem para te enfrentar de cara, porque o que tenho para dizer pode não ser o correcto e não quero apenas "dizer coisas". Então calo-me.

E eu não te quero longe...
E não penso mais nisto

(ponto)

Cama

Um dia qualquer
Subirei para uma cama
onde não exista gente
que ama
e dormirei (f)errada;

pois gente que o sente
não entende
que a (dor)mente
é só gente só ausente
a quer dormir.

...

(...)
Foi um momento
O em que pousaste
Sobre o meu braço
Num movimento
Mais de cansaço
Que pensamento,
A tua mão
E a retiraste.
Senti ou não?

(...)


Fernando Pessoa



Por esta não esperava..
Da cama corpo -e meio-
fugiu-me a calma
(de beijo a dentada
de toque a unhada)
apanhou-me a alma...

Desta vez, Hungria...

Aqui vão umas fotos...


Mais??? Vão a http://lneves.deviantart.com/

E porque Madrid foi um sucesso...

... tomem lá algumas fotos!!!











E depois... Amesterdão!!!
(ainda tive um convite para o Sul de França... A ver se o guito da para tudo)

Creu??? CREDO...


Estou parva prá minha vida...

Conversas de varanda


L: Sou mais sensível na mama esquerda por acaso!

M: Eu também, não só por ser mais sensível, mas também porque gosto mais da minha mama esquerda!!!

L: Acho que, efectivamente, todas as mulheres são mais sensíveis no lado esquerdo...

M: É capaz... Nunca apalpei mais mama nenhum de gaja sem ser a minha...

L: LOLOLOOL Eu já por acaso... Mas não senti grande reacção do outro lado!!! LOLOLOL

M: Engraçado... Gosto mais do meu lado esquerdo mas, na cama, depois da queca, fico sempre à esquerda deles, ou seja, (...) com eles ao meu lado direito...

L: Pah, é o lado da porta...

M: YAAAA, deve ser mesmo isso... Se a queca correr mal, já estou do lado da porta e é mais fácil de desatar a correr...

L: Faz como eu... Mete-os do lado da porta, assim é mais fácil expulsá-los AHAHAHAHAH

(In)pulso

Queria secar.
Queria ficar.
Queria dormir.
Queria não especar
a parede
-estúpida inanimada-
até surgir boca
e palrar.
Queria não ter raiva,
nem sonho,
nem pesadelo,
nem afago,
nem vontade
-do que curo-
de ter porto,
(não cidade,
mas seguro).
Queria Ser alguém
por mim
por mais ninguém,
correr
porque faz bem,
não amar
nem odiar.
Nem abarcar
-com cérebro de berbequim-
em dias custosos,
ou fogosos.
Seria melhor
apagar trilhos
da mente
que (me) fazem acordar
o que ele sente.

Queria estar bem.
O que isso?
É sentir
que a vida vale
O que ela tem.

Queria estar sem.
O que é isso?
É sentir
o absoluto nada
por ninguém.

O trabalho
de só se ser só
é árduo;
mas água mole
em pedra dura
tanto bate
até que fura.

(ARRE...)



Salvador Dali, A Desintegração da Persistência da Memória

Sentimento "vende-se"

Não fales
-por favor-
do que não sabes
-amar-
Busco o nexo
-sexo-
na arte de colher
-cheiro-
a fim de fugir
-deitada-
do sentir presa
-apagada-
a absolutamente tudo
-ou nada-.

De quando em vez...

As palavras não irrompem?
De quando em vez,
Mas é raro
A escassez
De bloqueio.

As lágrimas emergem?
De alma ferida
É um todo perigo
Chorar comedida
Sem perder nexo.


A saudade aperta no âmago

Quando subsiste o efeito
De amar o (des)alento
Definhando devagar
Por dentro...

Life is great...

Na noite de sábado, eu e mais dois amigos festejamos o nosso aniversário. Bebeu-se a fartote, comeu-se a fartote, e riu-se a fartote.

Não, não vos quero falar da festa dos meus 25 anos (que foi a melhor dos últimos 10 anos)...

Quero-vos só dizer que, por momentos olhei em meu redor e vi do que a vida é feita!!! De momentos inesquecíveis daqueles, em que não faltou ninguém que me é próximo ao coração (salvo alguns amigos que, por um ou outro motivo não puderam ir)! Por entre vinho, sangria, cerveja, rodízio e musica pimba, parei e apercebi-me que estou rodeada de pessoas queridas, que me amam, que me deixam ser eu mesma e que adoram cada pedacinho de mim, mesmo que seja menos bom! Como diz um amigo meu: "São as tuas imperfeições e pancas que te tornam a pessoa especialíssima que és!" E escrevo isto com um enorme aperto no coração e lágrima de alegria no canto do olho...
Depois de tanto desalento, tanto sofrimento, é óptimo sentires o aconchego de quem gosta de te ver feliz acima de tudo!

E com isto, já me sinto eu novamente... :)

Para os aniversariantes, um obrigada Magda e Álvaro pela companhia, força e animo que me dão dia a dia...

Um ***MUAH*** do tamanho do mundo, porque a minha vida é melhor com vocês :)


Nhami...

Fazes-me Falta



"Trago-te no riso enterrado, nas lágrimas que me lançaste, escadas de incêndio para a sabedoria da felicidade, na pele escaldada pelo brilho da noite, depois do mar."


"Deslizo para esta solidão demasiado humana de não poder voltar a ser sozinho, como era quando tu existias, nesta mesma cidade, e eu já nem sequer pensava em ti."

Ouve


Parece instável
o ser-se natural.
Sim, ser-se só
-Mente- o que se é.

Ouve meu amor
de forma angelical,
sem mais demora
porque eu sou assim...
Não me peças
melhor que isto.
Não serei
menos vã;
Pois aquilo que entendes
nem sempre é o que quero
exprimir -redimir-
com palavras doces.
O amargo esconde-se
por entre caramelo,
o frio corta
e duro é,
tão forte como
teu ser sin(gelo).
Ouve meu amor
sem mais choro ou soluço:
Sim, o amor é vão
(já dizia alguém perfeito)
mas todos caímos
no seu enredo estreito.

Até parece errado
o ser-se natural.
Sim, ser-se só
-Mente- o que se é.

Espaço

Aqui que ninguém nos ouve...




O espaço é enorme... Tão enormemente frágil!

Cabe nele gritos acéticos, desabafos perros, beijos acesos e soluços coxos... São pulos de alegria sobre palavras treslidas em tom errado... Nele estão passeios de mão dada e cabeças baixas de quilómetros... É tudo tão desmesurado para a pequenês do Momento... Ou será tudo tão intenso para a distância que foge fria?

E no fim do início de tudo que é bom... Será que cabe algo mais?!

Mas só aqui, que ninguém nos ouve...

Tem tempos.

Hoje vou...


... tentar começar a apreciar a companhia de ninguém.


Voo

Fico tão fraco
Tão furiosamente fraco
Desmanchadamente transparente
Descontroladamente diferente

Gosto de ficar aqui
Não há espaço para esconder o fogo
E deixo-me escorregar...

Olha-me tão fraco
Tão orgulhosamente chato
Despido e destemido, tão fraco
Perigosamente desfeito no teu leito

Gosto de ficar aqui
Não há espaço para esconder o corpo
E deixamo-nos escorregar...

Leva-me devagar...

Vê-me tão alto
Desprendidamente alto
Inatingivelmente distante
Escondido entre as luzes... tão fraco...

Tenta-me tirar daqui
Já só quero descansar o corpo
E deixa-me flutuar...

Leva-me devagar...



De: Tiago Bettencourt

Get it On!!!

Hoje não


Ao ver uma porta aberta
Alguém tentou entrar
Mas eu já disse
Se de corpo é bem-vindo,
A alma resiste
E de fora assiste.

Ao ver uma porta aberta
Alguém entrou
E de luz ligada
Viu que não estou
Para esperar por ti…
Hoje não...

Not frightened

“I'm not frightened; I'm not frightened of anything. The more I suffer, the more I love... Danger would only increase my love. Do we shop in it, do we give it spice, I will be the only engine you need...You will leave life even more beautiful then you entered in it… Heaven will take you back and look at you and say only one thing can make us so complete, and that thing is love."

In "The Reader"

De volta

É só olhar
E volto a agarrar,
Volto a ler
As curvas da perdição;
E ler não é sofrer
mas, sim, procurar,
O que perdi, em tempos
O que fugiu da mão.





Não mata,
Mas fere mais
Andar a fugir
Do que se sente;
Vou tirar a teima,
Vou arrancar a mente
Como cabelo partido
No pente.

Quem te viu bambolear
Pensou estar tudo errado,
E quem vestiu má pele
Estava deste lado;
Teimaste em riscar
O fim do meu chão
Nunca medindo a distância
De teus passos à razão.

Não me apetece

E de vez em quando é assim: vivo numa suspensão de tudo, de interesses, de leituras, de escrita. Possivelmente é um erro supor-se que um interesse, seja qual for, reside nisso mesmo em que se esta interessado. Não está. Um interesse remete sempre para outro e outro, até ao interesse final que tem a ver com a própria vida, o motivo global que nos impulsiona. Há que haver, pelo menos, uma razão final e genérica para que as razões circunstanciais ou ocasionais tenham um efeito propulsor. Há que termos essa razão, mesmo inconsciente, para que todas as outras actuem em nós. E o que não acontece quando por exemplo dizemos que estamos sem interesse. Não nos apetece ler, não nos apetece escrever, não nos apetece ir ao cinema, ouvir musica, etc., quando falta uma razão global em que isso se inscreva. E então dizemos, sumariamente, isso mesmo: que não nos apetece. Se temos um grande desgosto, se estamos condenados por uma doença, etc., justifica-se o interesse por essa razão. Significa isso que essa razão é o fundamento global que nos falhou para qualquer outro interesse subsistir. Os que superam esse estado são excepcionais ou loucos ou de força de vontade ou obsessivos, o que tudo é um modo de dizer que se está fora dos limites normais. Hoje estou em dia de suspensão - venho-o estando, aliás, há já dias. Só não sei a razão fundamental para que seja assim. Vou pensar aplicadamente para ver se sai.




Virgílio Ferreira, in "Contra-Corrente 5"

Bocageando

Bocage já não sou,
porque a Boca já dei.
De cona quase nova
só ar forçado apanha,
Não sopres que não incha;
É triste não conseguir
tão pequena façanha.

Atrás da igreja [não] foi
num belo Domingo destes.
Tu com tua verga zarolha,
deixas conas e nadgazinhas
de tal maneira insatisfeitos,
que até padres desesperados
davam melhores fodinhas.

És mau de cama, Ui Senhor!
És muito pior de pé.
Raio membrudo desobediente;
nem, necessitada, punheta
nem saliva esforçada,
levanta, desanimado, caralho,
muito menos espicha ranheta.

Arre, Mau Tumescido,
ah, D. Palma satisfeita.
Será tua amizade com ela,
-essa puta ladra gulosa-
tão viciante e potente assim
que não reste umas sobrinhas
de, tão desejado, tesão para mim?

Age seu cabrão murcho,
asno do inútil caralho.
Não vales o pequeno caralho
que tua Santa mãe te deu,
nem sequer o teu
caralho com frequência usas.
Caralho... ninguém me fodeu!!!



Escrito a 26/12/07

Lição


Sinto-me, toda mim, confusa
No rigor que toda vida exige;
O mal que consome, me alenta,
O bem que entretém, me sustenta.

Falo, silenciosa, coisas de mais
Ando, de arrasto, em constante ânimo;
Nem eu sei, nunca eu antevi
O que da vida sempre pedi.

Confiada, desconfio de tudo
Destemida, com medo de mudança;
Como quem pára ao fim de uma jornada
E sua vista está quebrada.

Cansada, continuo em força
Até reconhecer que andei p'ra nada;
E p'ra nada, aguentava
Pensando que errando, lá chegava...

Tempo

Foi pouco.
Como vento. Passou
Tocou de leve…
E tudo
Levou
– longe –
Ainda bem para
Mim.
Sim… Águas passadas
Não movem
Nada...
Atracada.

Senti o que foi.
E já perdi
Tempo. De ti.
Ardido?! Talvez.
Dorido?! Perdão.
- foi escassez de palavra e sentido -
Vivo?
Sim
- de nariz altivo
e olhar
sumarento -
Consigo.
Contigo.

Pobre Velho



Era uma vez, numa qualquer cidade
Um senhor susto bicho:
Amarelado e barbudo,
Cabelo langoso e ar cizudo,
Que berrava a quem olhava,
E belas meninas assustava.

Por entre ruas e ruelas
O senhor lá ía vivendo:
Estranho cheiro a mijo,
Desdentado e sem cizo,
Era ele, assim, deambulante
esperando seu tempo findante.

Mancava, o Velho traste
No correr apressado do mundo:
Só bengala, gasta, o sustinha,
Tinha a camisa manchada da vinha,
E quem passava de fininho
Via um velho encharcado, sozinho.

Dizem que a vida
São dois dias estonteantes:
Pobre barbudo roído;
Um dia, amado,
De madrugada, preciso,
No fim, largado.

Talvez passe...



Mais um dia assim…
Vai-te deixando assim…


Talvez a noite deite
Talvez o dia se erga
Talvez, por entre horas,
Se faça Luz.

Mais um dia assim…
Vai-te deixando assim…

Talvez aquilo que chamas
Talvez pernas,
Talvez andas,
Se movam e corram.

Mais um dia assim...
Vai-te deixando assim…

Talvez respires os mesmos ares
Talvez não respires, ponto.
Talvez o Amor se vá
Talvez o Amor se venha.

Mais um dia assim...
Vai-te deixando assim…

Pode ser que a Vida passe…
Por ti…

Noite

Com a noite as coisas concretas se apagam.

A pouca luz impõe uma ausência necessária.

O telefone não toca.

As ambições parecem dormir.

Tudo o que não pode ser visto transborda e se enamora das sombras e do silêncio disponível.

É desses momentos que surge a alma.




A um (mais que) Ausente

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.


Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aqui
escênciade viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.



Antecipaste a hora.


Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.


Que poderias ter feito de mais grave
do que o acto sem continuação, o acto em si,
o acto que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?




Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.





Sim, tenho saudades.


Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.





O Triunfo dos Porcos

"Diz-se que o homicídio é o crime que qualquer um pode cometer,e eu percebo. Basta andar de táxi todos os dias.
Infelizmente não há dia em que não ande, pelo menos, duas vezes de carro de praça... Já não vou falar dos odores que os passageiros deixam, nem das nódoas nos assentos, ou do cheiro a sebo dos condutores, denunciando a evidente falta de banho. Não, eu não vos quero falar disso. Antes da coisa mais deplorável a que assisto diariamente. Deplorável, estranha e inexplicável. Apesar de eu ir sentada no banco de trás, os taxistas sentem-se à vontade para insultar as mulheres, mas insultar de uma maneira que não se aproxima, sequer, do pior comentário salazarento/xanófobo. É algo que está para além disso: é uma misoginia (que eles não sabem ter, nem sequer o que é) intragável. É um ódio visceral de americano cambatente para iraquiano indefeso. É o princípio da guerra nas ruas. Eu confesso-vos: gostava de os exterminar.
A questão é: como é que, transportando uma mulher no banco de trás, estes camelos acham que podem insultar outra da minha espécie? Mesmo que fossem homens?! Mesmo que fossem benfiquistas?!
Que raio de gente é esta que não respeita nada nem ninguém? Se eu não fosse ali era indiferente? Era. Ou talvez pior. Eles - a maioria certamente - acham que as mulheres deviam estar em casa a coser-lhes as meias fedúncias e esburacadas que calçam limpas ao sábado e se passeiam pelo táxi até à semana seguinte. Eles querem é o "comer" na mesa, o pente no bolso de trás e o corta unhas-afiado. Mulheres a conduzir? Mulheres a conduzir melhor que eles? O que é isso? Essas porcas merecem, é, uma liçãozinha, e vem daí, independentemente de a D. Cidália ir com eles no carro e pagar-lhes por isso (!), venha de lá o insultuzinho que os liberta tanto como a queca de dois minutos que vão dar depois ao Martim Moniz.

No outro dia entrei num táxi que cheirava a sexo. Cheirava nitidamente a fluído fresco e forte. E eu, já sem aguentar, disse ao taxista: "Está um cheiro insuportável neste táxi!". O homem - rapaz novo - ficou um pouco atrapalhado e justificou-se com o passageiro que acabara de transportar. Fez questão, até, de me mostrar o "spray" que usara depois para "refrescar" o carro, mas em vão. Se o passageiro era ou não do Continente Africano, não sei. Que o táxi me cheirava a sexo, ai isso cheirava, e o meu olfacto, garanto-vos, é o meu sentido mais apurado.

Com isto dos cheiros ainda aguento, saindo do táxi, ou abrindo a janela, mas com os insultos misóginos é demais. Vai haver um dia em que, qual senhora de idade atacada por um meliante, vou sacar da mala e dar-lhes tantas na cabeça que os vou deixar atordoados. Eu queria muito que chegasse esse dia, embora tenha que escolher bem a mala que vai cheirar a ranço para o resto da vida.

O que vai na alma destes homens que expelem tanto ódio em relação às mulheres? Será que a culpa é do futebol que já não lhes dá tantas alegrias? Ou só do Camacho?
É muito difícil ouvirem-me dizer mal deste país. Vivo aqui porque gosto e caso estivesse mal, teria de me mudar. Só gente de mal com a vida insiste e crucificar os governantes, o trabalho, a vida. (Alguém pode explicar ao Vasco Polido Valente que se ele escrever positivamente em relação a alguma coisa, ninguém deixa de gostar dele?)... Eu não sou de botar abaixo. Nunca fui. Mas os taxistas, os taxistas mereciam um PNR contra eles! Eu punha os cartazes no Marquês! (O problema é que o PNR é o partido deles...)

Odiar as mulheres e insultá-las assim, devia dar direito a cadeia. Quando for no táxi e ouvir um comentário misógino, dê cabo deles. Suje a mala se for preciso.

Alguém tem que os ensinar a ser gente!!! "
"Oh God, make me good, but not yet!"


In: "O sexo e a Cidália"
DN, 2 Fevereiro 2008

Minha Cura

Estou calma…

Sinto de novo
No peito
Refeito,
A Alma.

Estou calma…

Tenho meu mundo
Na palma:
Da mão - que agarra;
Do pé - que segue.

Estou calma…

Venham ventos
Venham chuvas
Venham mares
Venham brumas…


Estou calma…

Curaste

Minh' Alma...

Ser Luís "Homem"

Justo injustiçado,
Acertivo em falsidade,
Amável de tristeza,
É este Homem na verdade.
Fazer do simples
O amar dorido;
O acto eterno
De amar varrido...

Que nem doido
Correr sangrento
De pernas leves;
Mesmo sem vento
Abrir asas
Com tempo,
E morrer
De contentamento…

Ser Homem sem temeridade
É ser Leão em atitude,
É ser Homem de coragem,
É ser Anjo em plenitude…

Soldados de Armadura frouxa



Era uma vez, duas lindas criaturas
De terras distantes e diferentes;
Por mais que tentem,
Não podem imaginar
Quão doce e terno era este par.


Os seus génios eram raros
Ambos como os ventos;
Poucos os compreendiam,
E não tendo rival,
Não há no mundo par igual.


Governam o planeta
Com enorme erudição;
Fomentam guerras sangrentas,
Inventam batalhas, inimigos e armas,
Como se tivessem semelhantes karmas.


É, sem dúvida, um milagre
Mesmo não crendo no vivo Céu;
Perceber que tais criaturas,
possam tão arduamente sentir,
E este batido de cravado amor persistir.


Um vê com o castanho que odeia
Onde brilha o desprezo;
Outro olha com o castanho, terno,
Seus inimigos sem quartel
de forma desdenhosa e cruel.


Porque são os Homens
Tolos sem igual?
Voltam sempre magoando,
Por entre sangue e ferida,
Gente simples e, do coração, querida.


Nunca vão saber
O que se esconde
Atrás de olhos estranhos;
Personagens e cenários imaginam,
Passados e medos predominam...

Marcas

São tantas as marcas
Escondidas em mim...
É peito,
É mente...
São pontos sem fim.

São tantas as marcas
Que confusas me deixam...
É tempo,
É hábito...
São toques que aleijam.

Que raio de homens são vocês???

Ontem li um post no Blog da Adore (Devaneios). Imediatamente senti a necessidade de o colocar no meu Blog, uma vez que, casos destes, acontecem, infelizmente, todos os dias nas mais variadas casas. Há a tendência em pensar que, casos destes só acontecem aos mais "pobres", aos menos formados... Quem assim pensa, está completamente errado. Este é um flagelo que abrange as mais diversas classes sociais.
E pensam que isto acontece, só, dentro de quatro paredes??? Também se enganam... Não é a primeira vez que vejo mulheres a serem mal tratadas no meio da rua!!! É verdade... E acham que alguém acode??? Nunca presenciei tal maravilha...!!! As pessoas simplesmente continuam com a sua vida, como se nada fosse, enquanto a mulher é espancada no meio da rua ou à entrada de sua própria casa. A única atitude que vi da parte um um homem que passava foi o simples mandar de boca: "Tu é que és um homem do caralho!!!". E, sinceramente, teve razão... Estes homens são, basicamente, homens do caralho; cavalos que só pensam com a cabeça da piroca, e a cabeça de cima é feita para criar piolho; anormais, abutres e cobardes, que só batem no mais fraco! Este tipo de espécie merece todo o meu nojo e, sinceramente, desejo-lhes todo o mal do mundo!!!


Passo a citar o post, agradecendo desde já a quem continuar esta cadeia:

"
HOJE RECEBI FLORES!!!!


Não é o meu aniversário ou nenhum Outro dia especial; tivemos a nossa primeira discussão ontem à noite e ele me disse muitas coisas cruéis que me ofenderam de verdade. Mas sei que está arrependido e não as disse a sério, porque ele me enviou flores hoje. E não é o meu aniversário ou nenhum outro dia especial.


Ontem ele atirou-me contra a parede e começou a asfixiar-me. Parecia um pesadelo, mas dos pesadelos acordamos e sabemos que não é real. Hoje acordei cheia de dores e com golpes em todos lados. Mas eu sei que está arrependido porque ele me enviou flores hoje. E não é São Valentim ou nenhum outro dia especial.



Ontem à noite bateu-me e ameaçou matar-me. Nem a maquiagem ou as mangas compridas poderiam ocultar os cortes e golpes que me ocasionou desta vez. Não pude ir ao emprego hoje porque não queria que percebessem. Mas eu sei que está arrependido porque ele me enviou flores hoje. E não era dia das mães ou nenhum outro dia.



Ontem à noite ele voltou a bater-me, Mas desta vez foi muito pior. Se conseguir deixá-lo, o que é que vou fazer? Como poderia eu sozinha manter os meus filhos? O que acontecerá se faltar o dinheiro? Tenho tanto medo dele! Mas dependo tanto dele que tenho medo de o deixar. Mas eu sei que está arrependido, porque ele me enviou flores hoje.



Hoje é um dia muito especial: É o dia do meu funeral. Ontem finalmente conseguiu matar-me. Bateu-me até eu morrer.


Se ao menos tivesse tido a coragem e a força para o deixar... Se tivesse pedido ajuda profissional.. Hoje não teria recebido uma coroa de flores!



Por uma vida sem violência!!! Partilhem esta mensagem para criar consciência...
PARA QUE SE TENHA RESPEITO COM A MULHER, COM AS CRIANÇAS, COM O IDOSO...ENFIM, AMIGOS, QUE SE TENHA RESPEITO COM O PRÓXIMO, SEJA QUEM FOR!!! DENUNCIEM A VIOLÊNCIA.. !!!

"

Ausência



Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.


Vinícius de Morais in "ANTOLOGIA POÉTICA"

Dúvida ¿Sexual?

Hoje, passeando nas ruas do Porto, muito bem acompanhada :P, surgiu-me uma dúvida um tanto ou quanto parva... Senti, imediatamente, a necessidade de partilhar minha inquietação com os demais...

Se chamam ao Sexo, "Fazer Amor"...



Será que, quando um homem se vem, poderá ser chamado de
"Pinga Amor"?

Ambição vs Ganância

Muita gente confunde Ambição com Ganância. Para os menos esclarecidos, eu passo a dar as definições:

Ambição é o desejo forte de fortuna, de glória, de honrarias, de poder.

Ganância é um sentimento humano negativo que se caracteriza pela vontade de possuir somente para si próprio tudo o que existe. É um egoísmo excessivo, direcionada principalmente à riqueza material. Contudo, é associada também a outras formas de poder: influência de pessoas com o objectivo de corromper terceiros e se deixar corromper, manipular e enganar.


Nunca digas que não és ambicioso... Isso significará falta de objectivos e, consequentemente, falta de vontade e projectos de vida. Ambição terás que a possuir sempre! Ganância nunca! Ao contrário do que muito boa gente pensa, pode-se ser ambicioso humildemente, ou seja, pode ter-se objectivos e metas traçadas, partilhando de igual modo o seu espaço, a sua vida, o seu tempo e o melhor de si. Ouve-se, tantas e tantas vezes, dizer: "Eu não tenho ambição!". E eu pergunto: "Como não tens, se ainda ontem te ouvi dizer que queres trocar de casa ou arranjar a que já possuis? Trocar carro ou comprar o primeiro carro (seja ele qual for)? Como podes ter ambição de nada, se, ontem, eu te vi, mesmo cansado e desanimado, a correr para o trabalho? Como não tens objectivos, se ontem, te vi de nariz empinado e furioso, a dizer que te passaram para trás? Que te enganaram? Que fizeram de ti boneco?

Quando digo que ambição é poder, não digo "poder"´, só, no sentido monetário. Falo em "Poder de opção"...

Meus amigos... Se não há ambição, não há vontade de nada... Se não há vontade, não há movimento... Se não há movimento, não vives. Mesmo que a atitude seja, em dias, forçada e arrastada... MAS MEXES-TE, NÃO MEXES? ENTÃO TENS AMBIÇÃO!!!! A tua é diferente da minha, pois somos diferentes e queremos obter resultados diferentes... Mas ambição meus amigos, há sempre... Tem que haver e sempre, em todos os dias da nossa vida. Sabem porquê? Porque O SER HUMANO É, POR NATUREZA, INSATISFEITO!!!

A Ambição leva-nos onde quisermos, pois esta é um ESTADO MENTAL!!!

Estatuto e Eternidade

"Não me entendes, caríssimo Sebastião: dizes que misturo tudo. Dizes que é incomparável a liberdade de que hoje dispomos para imaginar, escolher, criar, viver. Pelo menos na nossa civilização, dizes. E eu rio-me do que tu dizes, e tu zangas-te com o meu riso, cuidando, como tanto se cuida naquilo a que chamas a nossa civilização, que me rio de ti. Querido Sebastião, rio-me porque aquilo a que chamas a nossa civilização ainda nem sequer começou. Importa-me a liberdade, sim, mas vejo que a usamos ainda e apenas como uma outra espécie de grilhão. Vestimos a liberdade como outrora vestíamos a submissão; ela não é mais do que um traje de baile, com um carnet em que apontamos os nomes daqueles com quem dançaremos para brilhar diante dos outros. Democratizou-se o anseio de estatuto, mas não conseguimos ainda sair dele. É isso que vejo, Sebastião. Som e sentido, continente e conteúdo dilacerando-se, hoje como sempre, até que nada reste sob a superfície hiperbólica da realidade. Dizes que aquilo a que eu chamo estatuto pode também chamar-se ânsia de eternidade. Mas eu vejo tão pouca eternidade nos sonhos das pessoas, Sebastião. A eternidade que somos conduzidos a aspirar é a da juventude - o lugar mais rápido, inseguro e variável da existência humana. O lugar do querer ser. Não vês o contra-senso que isto representa? A violência? A prisão?"



Inês Pedrosa, in 'A Eternidade e o Desejo'

Amor

Cheguei à conclusão que, quase tudo escrito sobre o Amor, é verdade. Shakespeare disse “Journey’s end in lovers meeting”… Ohh!!! Pensamento extraordinário este... Não sei se é verdadeiro, ou mesmo exequível. Pessoalmente, acho nunca ter experenciado nada parecido com isso, mas quero acreditar que Shakespear o fez.

A verdade é que penso em Amor mais vezes do que qualquer pessoa normal o deveria fazer! Estou constantemente maravilhada com o seu constante poder de alterar e defenir vidas.

Foi Shakespear que afirmou, também, “Love is blind”... E isso é algo que eu, com certeza, sei ser verdade...

Para alguns, sem motivo aparente ou falta de vontade, o Amor morre ou esvai-se...
Para outros, o Amor está, simplesmente, perdido...
Claro, o Amor pode, também, ser encontrado, mesmo que só por uma noite... Aquele Amor que te faz companhia. O problema é que, este tipo, é como cobertor curto deixando-te, sempre, os pés frios... E por mais que o estiques não te aquece por completo...
Há, também, o Amor unilateral... Aquele que provoca desespero... Aquele tipo de Amor que soa a desAmor...
E depois há outro tipo de Amor... O mais cruel; aquele que quase mata as suas vítimas... Aquele Amor que, por vários motivos alheios, não pode ser abraçado, beijado, tocado, vivido... E desse tipo, não só eu sei da sua existência, como sou perita...

Sim... Falemos de Amor...!!!

Not Dead to You

Do not stand at my grave and weep
I’m not there,
I do not sleep…








I am the thousand winds that blow
I am the diamond glance of snow.

I am the sunlight on the grain
I am the gentle autumn’s rain.

I am the secret passage to the smile
I am the cuddle of your heart for a while.

I am the face of the strong and bold
I am your happy and fragile soul.

I am the free and everlasting love
I am the white and simple dove.

I am the one who guides your way
I am the illusionist of night and day.



Do not stand at my grave and cry
I’m not there,
I did not die…

Over Martini...

“Ela e Ele estavam com problemas… Ela dirige-se a um bar, sozinha, para beber um Martini, quando nota a presença de um estranho ao balcão, bebendo o mesmo. Subitamento há algo que lhe chama a atenção...

Estranho: (Para o empregado) Fred, da-me a conta...!

Ela: (Espantada com Estranho) O Senhor não bebeu o Martini...!

Estranho: Desculpe???.... Ah, eu não bebo... Ou melhor... Já não bebo! Mas, às vezes, venho cá à noite e peço um...

Ela: Hum... Porquê?

Estranho: Bem... Não acho que a explicação me vá fazer parecer menos estranho do que já pareço, mas... Costumava beber no fim de cada dia, e ficava relaxado! Quando comecei a perceber que precisava da bebida... Parei!!!

Ela: Bem, eu compreendo o porquê de parar! O que não compreendo é o porquê de o pedir, se não o vai beber...!?!?!?

Estranho: Era o que eu lhe ía explicar (sorri)!!! Eu não sinto falta da bebida. O que sinto falta é da sensação de relaxamento entre a primeira bebida, quando ainda estava stressado, e da terceira, quando já não devia conduzir!!! De certo modo, em pedir um Martini, e, aqui sentado perto dele, olhando para ele, torna-se mais fácil imaginar esse sentimento. E a imaginação de relaxamento não é assim tão mau...

Ela: Tem razão...!!! A sua explicação não o faz parecer menos estranho...!!! :)

Estranho: Sim... Bem, sabe, é o mesmo princípio que a faz tirar a aliança... Não a torna menos casada... Simplesmente torna mais fácil imaginar-se como não sendo!!!

Ele ri-se e sussura... -Boa noite!!!

Levanta-se e sai...”

Azul



Ele ri com olhos
De mar intenso,
Chora com lagrimas
De céu imenso...

Em teus olhos perco
noção do mundo,
Inteira, sincera
Neles afundo,
E te beijo
Fera...
É prazer multiplicado
Pelo azul
que me fita
apaixonado...

Secura

Sobre mim cavalgas
cingindo-me os flancos,
colhes à passagem
a luz do instante.
De dentes cerrados
ondulas avanças,
retesas os braços,
comprimo as ancas.
Depois para trás
te inclinas, olhando
o que entre dois ventres
ocorre entretanto.
Que lua te empolga?
Que sol te embriaga?
Lua e sol tu és
enquanto cavalgas.
Amazona e égua
de espora cravada
no centro do corpo
Centauresa alada;
meus seios soltos
como feitos de água.



Querias bebê-los
com a sede do mundo,
os cabelos esses
sorvê-los agora;
Mas de cada vez
que o rosto aproximas,
já é outra a sede
que te queima a língua.
A de nos teus olhos
tão perto dos meus
descobrir o modo
de beber o céu.

Meu Ganda Cavalo

Em cima de um Cavalo
Certo dia me montei,
Cavalo, este, tão grande
Que como Égua fiquei.
Cavalo, antes, não era
porque tinha sensibilidade de gente,
Cavalo, agora és
Não te posso olhar de frente.
Não tinha como possível
Passar de príncepe a Cavalo,
Mas, és Cavalo, conseguiste..
Apetece-me dar-te um estalo.

Se homem não és
Não enganes tentando manha,
Passa antes por Cavalo
Assim ninguém te estranha.
Não guinches, não relinches
Que meu ouvido não é mouco,
Raios parta o Cavalo
Parece meio louco.
Como se não bastasse
Seres Cavalo e Maniento,
Tens agora que ferir
ouvido já sangrento?

Cala-te Cavalo estúpido
Não me chames amarga,
Não tens mais remédio
Senão seres Cavalo de carga.
Alimentas-te a torrões
De açucar em quantidade,
Mas eu não sou nenhuma fonte
De açucar sem qualidade.
Meu açucar é do bom
Como o meu já não existe,
Querias que te desse na mão
Pois, Galopante, agora desiste.

És Cavalo, sem dúvida
És Cavalo pardo,
Há-des ficar corcunda
Com tanto mau fardo.
Olééé, Cavalinho bonito
Galopa a grande Circunstância,
Dá corda às ferraduras
Acabou-se a tolerância...

Tcham, Tcham, Tcham, Tcchhhaammmmm...

Mensagem do Alto


Não vou procurar quem quero
Se o que quero é correr
Por entre tuas cores e cheiros
Não importa se sofrer.
Agarro Nuvens roxas
Fica quem em mim se escondeu
Monto e parto rumo
Hoje o vento sou Eu.
Quero mais do que esta vida
Mais do que simples fonte
Quero-te a ti, minha Nuvem
Que me mostra horizonte.
Quero ver altos e baixos
Quero ver vestes e sombras
Porque sei que te escondes
E meus sonhos assombras.
Por isso parto rumo
Rumo à tua distorcida mente
Logo rumo sem rumo
Ao menos rumo diferente.
Sei o que me espera
Espanto e amasso
Mesmo assim voo alto
E, de cima, estendo braço.



Deixa-me contar-te um sonho...

"Subo...

Entro por tua porta... Comigo não contas... E vejo-te... Meu coração acelera.. Sim, vejo-te. E cheiro-te, pois todo teu quarto cheira a ti! Lá estás tu, do lado de dentro da janela, meia coberta por cortina azul.

Para o mundo olhas... E ele corre apressado... E tu, sem pressa, sentado, quieto, olhas... Esperas... Desesperas... Penso eu: “Será por mim? Aqui estou, aqui me dei... Aqui me entreguei!” E o cheiro continua a invadir meu cérebro, minhas veias, minhas lembranças...

Ainda não deste por mim... Ainda sozinho estás, só tu e teu mundo.

A medo aproximo-me............... Já me sentiste... Já me cheiraste... Já conheces meus passos... meu respirar... Não resisto... Abraço-te forte!!!
Encosto meu peito a ti e deixo que me sintas... Meu corpo, meu calor, meu amor, meu desejo, meu abraço...
Permaneces de costas para mim, e abres ligeiramente a boca. Sabes? Aquele abrir de boca que fazes quando te toco? Não muito, não pouco, mas perfeito? Aquele quando te sei tocar? Aquele quando te deixas tocar? Aquele quando sentes e queres sentir? Aquele abrir de boca quando amas?

Não me importo que permaneças assim, pois sempre adorei tuas costas ... Sim, não te mexas, não te vires... Lindo és! E uma súbita chama invade meu peito, meu coração acelera, meu corpo espasma (mais um pouco), meus olhos fecho... E a mão percorre tuas linhas... A outra acompanha... E desenho-te novamente...

Espera?!... Desenho-te novamente??? Não... Sempre desenhei!

Pergunto-te a medo, sussurrando-te ao ouvido: "Posso??? Deixas???" Levantas os braços e, lentamente, vou-te tirando a t-shirt laranja que adoras... Aquela com o número cinquenta e dois à frente? E, devagar, vejo teu corpo... Vou tirando... E vou vendo novamente tua pele chocolate... Hummmm... E que amo chocolate...

Saiu... Já no chão, estatelada, está!!! Ali, num canto qualquer...

Deitas-te! Metes tua cabeça entre braços...!

Sorrio... :)

Eu sei porquê! Eu sei o que queres! Sempre soube! Consigo ler-te! Amo ler-te! Queres que te toque de lado... Queres que percorra meus dedos, desde tua mão até ao fundo do teu tronco... Mas de lado... Dois dois lados... Que passe meus dedos pelo lado do teu pescoço (ligeiramente atrás) e sigo para teus largos ombros, passando pela parte de fora dos teus braços...

PFFF... Estremeces... Abanas... Contorces... E arrepias, e voltas a arrepiar... Todo teu corpo é arrepio... E adoras! E amas! E pedes mais... Pede que dou... E arrepio... E volto a arrepiar... E gosto de te ver assim... E amo ver-te assim... Louco...

Eu sei... Eu conheço-te... Eu entendo-te... Eu toco-te e amo tocar-te porque sei... Porque quero... Porque compreendo... Porque te amo... Porque também amo isso... O toque... O cheiro... O gosto... O entendimento mútuo...

O encaixe do teu corpo no meu... "


Acordo e olho para o lado... Cama vazia, corpo só!!!
Merda...!!! Foi sonho...!!! Só sonho, meu sonho...!!!

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Ai e Tal...
Porto, Portugal
"Fui à floresta viver de livre vontade, para sugar o tutano da vida. Aniquilar tudo o que não era vida. Para, quando morrer, não descobrir que não vivi."
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